Artigo, Crônica, Opinião

Sem Pânico, Só Orgânico

25/01/2016

Cresci entendendo que comida é sinônimo de felicidade. 
E essa regra está valendo mais do que nunca para mim nos últimos tempos. 
Mas, com um detalhe: meu conceito sobre comida mudou.

Já li vários textos sobre a importância de educar o paladar na infância. E sempre me pego perguntando como eu teria crescido se recompensa por bom comportamento fosse uma fruta ao invés de um algodão doce.

Não condeno meus pais por terem me criado com pizza no jantar, sorvete quando eu queria ou pela batata frita feita com tanto amor nos almoços de sexta. Eu até os agradeço por isso: não lembro de ter sofrido por não poder comer algo – o que me fez uma criança mais feliz.

Eles não fizeram isso por mal. Fizeram porque nossa cultura assim mandava.

Não tenho a fórmula para mudar a cultura sobre doces e outros alimentos super perigosos na infância e nem quero falar sobre isso para não dar voz àqueles que insistem em dizer que criança feliz come pacote de bolacha, brigadeiro e achocolatado – e não batata doce e banana da terra. Isso é um assunto que não se discute entre leigos e entendedores. Existem muitos livros e estudos entre uma opinião e a outra e não se chega a um consenso sem um bom aprofundamento de ambas as partes.

Mas, o que posso afirmar, de acordo com meu próprio repertório, é que paladar até se aprende na infância, mas não é irreversível.

A alimentação saudável é fundamental para o bem estar geral da nação e se dermos uma chance para ela, vamos ver que um prato de brócolis pode roubar o lugar no nosso coração antes ocupado por aquele hambúrguer duplo.

E se você que está lendo isso quer tirar sarro dessa comparação, pense duas vezes: quem opta por esse estilo de vida ama tanto comida quanto você ama. A diferença está no que cada um entende por “comida”.

Comida continua sendo sinônimo de felicidade, para nós, os “nauturebas”. 

A diferença é que o nosso paladar mudou, consequentemente a lista dos nossos alimentos preferidos também. Então, em nome da “classe”, aqui vai um recado: estamos bem, pessoal. Não comer mais aquele doce da confeitaria não está nos fazendo entrar em pânico. É que agora a felicidade vem em tudo que é orgânico.
 

Crédito Imagem: Wendy Copley


Comentários

You Might Also Like

No Comments

Leave a Reply